Bianca
UX designer
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Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Ao longo do bootcamp na Tera nos foi dado o desafio de projetar uma solução acerca de alimentação de adultos nos tempos atuais. A resolução do desafio foi feito em equipe e chegamos ao protótipo do app fictício "Organizapp".

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Organizapp

Durante o bootcamp na Tera, foi dado aos alunos o desafio de projetar uma solução para incentivar jovens e adultos a terem uma alimentação mais saudável utilizando os conhecimentos adquiridos ao longo do curso. O projeto foi feito em equipe, sendo meus colegas: Andre Senna, Elizer Rodrigues, Jenifer Spinoza, Thiago de Mello e Vivian Veloso.

O texto tem intuito de demonstrar todo o processo de design da nossa solução: Organizapp.

Começando o desafio

Após nos apresentarem o desafio foi necessário entender melhor o contexto da situação. Foi nos ensinado ao longo do bootcamp para confiar no processo, que antes de pensar em soluções analisamos e descobrimos o problema.

No Design Thinking tudo se inicia com uma pergunta: ”Como podemos?”, devemos entender a situação e posteriormente nos aprofundarmos na pesquisa. Após analisar os dados levantados pelas pesquisas e validar os insights, ideamos a solução, fazemos o protótipo e posteriormente o testamos.

Desta forma utilizamos a abordagem do duplo diamante para entender o contexto do problema e fazer o design da solução, sempre focando no usuário mas considerando o business.

O primeiro passo do desafio é entender o usuário precisa, não o que ele quer (problema).

Para isso necessitamos pesquisar, analisar e sintetizar. Essa seria o primeiro diamante, a etapa de exploração que consiste em criar empatia com usuário e ter um entendimento inicial do problema. E para compreendemos este problema devemos questionar o mesmo nos pontos de vistas do mercado/concorrentes, do negócio, do usuário (primeira metade do diamante).

Neste contexto nosso problema foi encontrar meios do nosso usuário (jovens e adultos), se alimentarem melhor. Isso leva a uma série de questões. Iniciando pela semântica da frase do desafio: “ Como incentivar hábitos de alimentação saudável em jovens e adultos? “:

  • "O que é incentivar"?

  • "O que significa alimentação saudável"

  • "O que são hábitos "

  • "Quais são os hábitos de adultos?".

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?
Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Conseguimos desta forma entender que existem diversas pessoas e instituições envolvido de forma direta, indireta, na questão. Além haver aspectos sociais e econômicos, as pessoas são informadas dos benefícios de uma alimentação saudável e há correlação entre a natureza emocional (psicológica) e o alto consumo de alimentos industrializados.

Benchmarking

Tendo uma visão geral do desafio, iniciamos uma pesquisa do ambiente corporativo relacionado a indústria alimentícia, começando com a etimologia do serviço ao longo das décadas (devido diversidade geracional do nosso grupo):

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Levantamos também algumas empresas que poderíamos considerar concorrentes da nossa proposta e escolhemos a Liv Up como parâmetro de análise e comparação.

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

A Liv Up é uma solução que supre a necessidade de alimentos saudáveis por preços mais acessíveis e com menor tempo de preparação. O pagamento é facilitado pela plataforma ser intuitiva, o sabor aliado ao custo do produto são grandes atrativos. Seja no site ou app a navegação é leve e intuitiva, pratica e personalizada conforme usuário.

Ao analisar os aspectos levantados chegamos em três palavras-chaves: leveza, praticidade, personalização. E optamos por focar em leveza x praticidade, utilizando uma matriz comparativa com outras empresas que oferecem esses aspectos em suas soluções:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Fizemos também um moodboard para ilustrar os aspectos analisados anteriormente:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Nessa etapa do processo mapeamos os concorrentes e identificamos algumas oportunidades, tais quais os aspectos socioeconômicos envolvidos na tomada de decisão, como também emocionais relacionados à alimentação. Existe uma possível correlação entre praticidade e escolhas alimentares bem como a adesão a uma ferramenta ou solução está relacionado a sua leveza (que empregamos o uso da palavra ao sentido da usabilidade da mesma ser intuitiva e agradável).

Pesquisa – User Research

Começamos a traçar o nosso roteiro de pesquisa levando em consideração os cinco passos para fazer uma pesquisa:

1. Objetivos:

Nosso objetivo é descobrir quais motivos e causas levam as pessoas a não se alimentarem bem.

2. Hipótese:

Levantadas anteriormente na Matriz CSD.

3. Métodos:

Quantitativo (google forms com pessoas adultas) e entrevistas.

4. Condução da pesquisa:

Elaboramos um roteiro inicial que foi utilizado para o formulário de pesquisa quantitativa:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

As entrevistas foram feitas por via de áudios no WhatsApp e transcritas posteriormente.

5. Síntese:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Observamos que a suposição levantada anteriormente acerca de falta de informação não confere com os dados levantados. Uma parcela significativa dos participantes busca ter uma alimentação saudável, fazem exercícios, preferem alimentos in natura e cozinham seus próprios alimentos. Também acreditam que a ansiedade (aspecto emocional) influencia na forma de comer.

Com as entrevistas tivemos a oportunidade de aprofundar os questionamentos que foram levantados com a pesquisa inicial. E obtivemos algumas frases significativas para a resolução do desafio:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

“Eu sei que tem pessoas que tem esse problema, que quando estão chateadas ou nervosas, que perdem o apetite”

“Eu acredito que o fator emocional interfere muito na nossa alimentação, porque existe as comidas afetivas”

“Eu nunca passei por nenhum nutricionista.” “... e tem como você fazer umas pesquisas e chegar num plano, facilmente para poder montar um cardápio semanal.”

“De novo aqui a gente tem um problema de quem que pode ir num nutricionista... pouca gente, eu acho que pode se dar a esse luxo de procurar..”

“Eu não acho que precisa ir num nutrólogo ou numa nutricionista, porque tem muita coisa na internet boa. ”

Analise e consolidação

Após a realização das pesquisas iniciamos a consolidação dos dados. Analisando as informações, as transformando em insights e por fim em ideias. Para organizar as informações utilizamos uma matriz de informações:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Após mapear as informações iniciamos o processo de transformar as mesmas em insights, buscando pontos em comum entre as informações obtidas. Para isso utilizamos um mapa de afinidades e conseguimos extrair alguns insights:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?


Persona e mapa da empatia

Após a elaboração da pesquisa e consolidação de dados passamos a montar nossa protopersona. Organizamos as ideias, crenças e hipóteses do nosso grupo em nossa protopersona:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Verificamos durante as entrevistas que um tópico que foi repetido foi o custo da alimentação saudável. Uma de nossas entrevistadas (a qual não se encontra na apresentação pois focamos em apenas cinco), a Ednalva, falou sobre o custo de se alimentar melhor: "você compra um brócolis, cozinha, come duas, três pessoas. Agora se você compra um quilo de salsicha e bota um molho, comem dez", "a solução para resolver a alimentação das pessoas é cada um plantar o que come", "eu quero me alimentar melhor mas não tenho condições".

Uma das questões levantadas na pesquisa quantitativa foi o motivo de buscar se alimentar melhor e uma parcela significativa das respostas envolviam a palavra "saúde". Ficou claro que as pessoas possuem informação e entendem a necessidade de uma alimentação com menos processados mas o valor é um fator decisivo.

Focando então nos problemas acesso á produtos in natura por pessoas com menor poder aquisitivo, a praticidade do alimento e dupla jornada de mães criamos nossa protopersona: Aline.

Então para compreender a fundo as dores da Aline montamos o Mapa da Empatia:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Onde consolidamos nossas ideias e insights, usando toda informação disponível para esta protopersona.

Cocriação e Matriz CSD + Ações


Após a criação da nossa protopersona iniciamos o processo de cocriação e prototipação. Com o inicio das discussões ficou claro que nossa pesquisa foi muito abrangente e não focamos em um ponto específico. Não tínhamos uma persona ou até mesmo um problema que queríamos "atacar".

Consequentemente nossa protopersona estava muito generalizada e não teríamos recursos (tempo) para "prototipar" uma solução adequada aos seus problemas já que sua maior dor era relacionada diretamente ao seu poder de compra e uma solução específica relacionada a condições socioeconômicas poderia fugir do nosso foco inicial (alimentação saudável).

Este problema ficou evidenciado quando começamos a a elaborar nossa Matriz CSD + Ações, na qual iniciamos o processo de priorizar as hipóteses e o que poderíamos fazer a partir delas.

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Mudamos nosso foco no fator socioeconômico para como aspectos psicológicos podem afetar a forma pelo qual o indivíduo se relaciona com a comida. Foi um aspecto levantado durante as pesquisas quantitativas e entrevistas. Sendo que 86,7% dos entrevistados responderam que a ansiedade influência na forma de comer e algumas das respostas das entrevistas neste tema foram:



"Eu acho que a questão emocional é uma das que mais influenciam no hábito alimentar. ... Então com estresse e uma ansiedade a mais, eu vou lá... E mando ver no chocolate. "

"Eu acho que existem comidas que realmente não tem aquele valor nutricional enorme, não são saudáveis pra caramba, realmente não, mais aí ela vão te causar um bem-estar momentâneo que podem te confortar.."

Percebemos então uma oportunidade de trabalhar a fundo na questão emocional x alimentação e redefinimos o desafio.

Com a ajuda de nosso mentor Felipe percebemos que estávamos trabalhando com um nicho muito específico (pessoas com depressão/ansiedade). Então ampliamos nosso foco para pessoas com com distúrbios emocionais.

Utilizamos a tabela como podemos para chegar nesta conclusão e como prosseguir com o desafio:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

A partir deste ponto de revisão de informações, vimos a necessidade de redefinir nossa persona. Utilizando os dados coletados anteriormente usamos a persona "Renata" e suas dores como ponto de partida para nossa prototipação:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

A Renata foi baseada nos dados coletados via desk research, pesquisa quantitativa e entrevistas. Foi fortemente inspirada em uma das entrevistadas, mulher, mãe, gestante, com diagnostico de transtorno de ansiedade que tem problemas com alimentação ao longo da vida.

Ela trabalha fora de casa e se esforça muito para dar condições de vidas dignas para seus filhos. Apesar de trabalhar com atendimento ao público, é introvertida e prefere ouvir á falar. Costuma traçar metas ambiciosas e persistir nelas mesmo que não deem o resultado esperado. Essa teimosia ,ás vezes, a deixa frustrada e insegura mas não consegue ficar "parada", sempre esta fazendo alguma coisa ou pensando em algo. Quer muito se alimentar melhor, se esforça comprando alimentos in natura porque acha importante que se filho se alimente bem e tenha todos os nutrientes necessários para crescer saudável. Também tenta ao máximo se alimentar melhor porque acredita que só assim seu bebê se desenvolverá com saúde.

Mas quando não esta se sentindo bem acaba pedindo delivery e comendo alimentos que a façam se sentir melhor. Isso a frustra muito porque não quer descontar na comida mas não consegue deixar de evitar. Sente muita indisposição e cansaço mas não sabe ao certo se é por conta da gestação ou ansiedade. As vezes pensa que não consegue usar bem o tempo que tem fora do serviço.

A pesar do cansaço, cozinha para o filho porque tem medo que ele venha a ter problemas com a alimentação no futuro ou que se alimentar de forma indevida acarrete algum tipo de problema em sua saúde. Deseja se alimentar melhor, acredita que a sua disposição vai melhorar comendo de forma adequada e sua qualidade de vida vai ser maior também. Porém acredita para isso é necessário cuidar do seu estado emocional para que tenha uma vida melhor.


"Eu sempre tive problema com alimentação"

"quando ansiedade está a mil dá uma vontade de comer doce"

"eu comecei a comer melhor depois que engravidei"

Conseguimos construir a jornada o usuário e analisar as oportunidades que possuímos:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Desta forma começamos o clustering (análise de agrupamento de dados) de user stories para conseguir extrair nossos insights:

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Decidimos focar na organização, pois entendemos que era o agrupamento que acabava influenciando os demais grupos que havíamos encontrado.

Após analisar as dores da nossa persona, optamos por realizar um CRAYZ 8 para juntarmos soluções.

Como incentivar adultos a ter hábitos saudáveis?

Uma das ideias que surgiu no CRAYZ 8 foi a criação de uma lista de mercado para Renata organizar sua rotina e alimentação.

Abaixo temos as telas do protótipo inicial:

Estamos aprimorando nosso case!

Parte de nossa equipe continua trabalhando na proposta para refinarmos a solução que encontramos para Renata. Foi um curso intensivo e com muito conteúdo, acreditamos que dado o tempo que tínhamos, entregamos uma ferramenta que pode auxiliar no grande dor da Renata: se organizar para ter qualidade de vida e uma alimentação mais saudável.